HISTÓRICO DA DISCIPLINA
O ensino de História na Educação Básica, busca despertar reflexões a respeito de aspectos políticos, econômicos, culturais, sociais e das relações entre o Ensino da Disciplina e a Produção do conhecimento histórico.
O ensino de História pode ser analisado, sob duas perspectivas: uma que o compreende a serviço dos interesses do Estado, e outra que privilegia as contradições entre a Historia apresentada nos currículos e nos livros didáticos e a Historia ensina na cultura escolar.
Nas Diretrizes podemos analisar o ensino de História na década de 70 até os dias atuais, a partir das tensões identificadas entre as propostas curriculares e a produção historiográfica inserida nas praticas escolares.
A História passou a existir como disciplina escolar com a criação do Colégio Pedro II em 1837. No mesmo ano foi criado o Instituto Histórico e Geográfico brasileiro que instituiu a História como disciplina acadêmica.
O currículo oficial de História tinha como objetivo legitimar os valores aristocráticos, no qual o processo histórico conduzido por lideres excluía a possibilidade das pessoas comuns serem entendidos como sujeitos históricos.
O conteúdo de História do Brasil, ficou relegado a um espaço restrito do currículo, que devido a sua extensão dificilmente era tratado pelos professores nas aulas de Histórias.
O ensino de Historia não tinha espaço para analise e interpretação dos fatos, mas objetivava formar indivíduos que aceitassem e valorizassem a organização da Pátria.
A disciplina tinha como prioridade ajustar o aluno ao cumprimento dos seus deveres patrióticos e privilegiava noções e conceitos básicos para adaptá-los à realidade. A História continuava tratada de modo linear, cronológico e harmônico, conduzida pelos heróis em busca de um ideal de progresso de nação.
Na década de 70, o ensino dessa disciplina era predominante tradicional, tanto pela valorização de alguns personagens como sujeitos da História e de sua atuação em fatos políticos, quanto pela abordagem dos conteúdos e de forma factual e linear, formal e abstrato, sem relação com a vida do aluno. A prática do professor era marcada por aulas expositivas, a partir das quais cabia aos alunos a memorização e repetição do que era ensinado como verdade.
Vários fatores marcaram o currículo de História na rede publica estadual até o ano de 2.002. No ano seguinte, inicio-se uma discussão coletiva envolvendo professores da rede estadual com o objetivo de novas Diretrizes Curriculares Estaduais para o ensino de História.
Com a Lei nº 13.381/01, torna obrigatórios, os conteúdos de Historia do Paraná no Ensino Fundamental. E a Lei nº 10.639/03, inclui no currículo oficial a obrigatoriedade da Historia e Cultura Afro-brasileira e Africana. E a Lei nº 11.645/08, que inclui no ensino da Historia e Cultura dos povos indígenas do Brasil torna-se obrigatória na disciplina de Historia.
A organização do currículo para o ensino de Historia tem como referência os conteúdos estruturantes, entendidos como conhecimento que aproximam e organizam os campos da História e seus objetivos. Os conteúdos estruturantes relação de trabalho, relações de poder e relações culturais podem ser identificados no processo histórico da constituição da disciplina e no referencial teórico que sustenta a investigação histórica em uma nova racionalidade não-linear e temática.
JUSTIFICATIVA
A disciplina de Historia tem como objetivo priorizar o ajustamento do aluno no cumprimento dos deveres patrióticos e privilegiar as noções e conceitos básicos para adaptá-los a realidade, o ensino de Historia não tinha espaço para analise critica e interpretação dos fatos, o aluno só memorizava e repetia o que era ensinado como verdade, nos dias atuais os conteúdos significativos, com a realidade do seu cotidiano. A disciplina de História busca despertar nos alunos os acontecimentos do passado para entender o presente, o educando tem oportunidade de despertar reflexões e o censo critico, formando cidadãos patrióticos e participativos nos aspectos políticos, econômicos culturais e sociais.
FUNDAMENTAÇÃO TEORICA METODOLÓGICA
Na concepção de História, as verdades prontas e definidas não tem lugar, porque o trabalho pedagógico na disciplina deve dialogar com várias vertentes tanto quanto recusar o ensino de História marcado pelo dogmatismo e pela ortodoxia.
A História tem como objetivo de estudo os processos históricos relativos às ações e às relações humanas praticadas no tempo. As relações humanas produzidas por essas ações podem ser definidas como estruturas sócio-histórica, formas de agir, pensar, sentir, representar, imaginar, instituir, e de se relacionar social, cultural e politicamente, buscando compreender e interpretar os sentidos que os sujeitos atribuem às suas ações.
A História busca superar as carências humanas fundamentadas por meio de um conhecimento constituído por interpretações históricas, já o ensino de História é a formação de um pensamento histórico a partir da produção do conhecimento.
O conhecimento histórico possui formas diferentes de explicar seu objeto de investigação, a partir das experiências dos sujeitos e do contexto em que vivem, é o caso das correntes historiográficas que contribuem para a formação do pensamento histórico.
Essas correntes historiográficas, Nova História, Nova História Cultural e Nova Esquerda Inglesa se desenvolveram na segunda metade do século XX e propuseram, de forma radical, a construção de uma nova racionalidade não-linear do pensamento histórico sem eliminar as necessárias contribuições da antiga racionalidade.
A Nova História ganha novos contornos a partir de 1960, seu método se fundamenta em uma abordagem social das fontes, os historiadores problematizavam e serravam um conjunto imenso de documentos produzidos por uma sociedade num período de longa duração. A partir daí decifravam e analisavam as grandes estruturas sociais, econômicas ou culturais e suas respectivas relações e transformações, contribuindo para a demarcação de seus múltiplos objetos.
A primeira contribuição trazida pela Nova História foi a abertura para novos problemas, novas perspectivas teóricas e novos objetos desenvolvidos a partir das propostas historiográficas das gerações dos Anmales. E também se contrapõe a uma racionalidade histórica linear. Com a introdução de novas temporalidades ligadas às durações (curta, média e longa) e a valorização das estruturas que determinam a ação humana, suas relações e transformações.
Tanto a nova História como a Nova História Cultural usam a palavra “nova” para distinguir as produções historiográficas das formas anteriores, e a palavra “Cultura” para diferenciar da História intelectual, que abrange formas de pensamento, antiga História das Idéias e também História social.
Com as abordagens proposta pela nova historia cultural, como a micro-história antropologia histórica e a história do cotidiano, o passado vivido foi interpretado como um tempo distinto do contexto do presente sustentou-se com isso a distinção entre o presente e o passado.
A História, pode se beneficiar dessa correntes porque ela valoriza a diversificação de documentos, como imagens, canções, objetos arqueológico, entre outros, na construção do conhecimento histórico, permite relações interdisciplinares com outras áreas do conhecimento, desenvolve uma consciência histórica que leva em conta as diversas práticas culturais dos sujeitos, sem o abandono do rigor do conhecimento histórico.
As contribuições da Nova Esquerda Inglesa surgida em 1956, consideram a subjetividade as relações entre as classes e a cultura, defendem que a consciência de classes se constrói nas experiências cotidianas comum, a partir das quais são tratadas os comportamentos, valores, condutas, costumes e culturas.
O conceito de poder também é fundamental, a Nova Esquerda Inglesa busca superar as visões mecânicas e reducionistas da corrente tradicional marxista, e da história metódica, calcado em fatos históricos determinados e aliado a figura de heróis.
Os historiadores procuram analisar a concepção de poder de forma à apresentar outros atores sociais e outros espaços de poder, o que ficou conhecido como a “história vista de baixo”.
Uma das contribuições da Nova Esquerda Inglesa foi a superação da racionalidade histórica linear ligada ao marxismo clássico pautada na secessão dos modos de produção. Outra contribuição é que ela continua a defender uma concepção de história entendida como experiências do passado de homens e mulheres e sua relação dialética. Com a produção material, valorizando as possibilidades de luta e transformação social e a construção de novos projetos do futuro.
Deve-se levar em consideração que a valorização de múltiplos sujeitos introduz temporalidades distintas das produzidas pelos Europeus; as fontes produzidas por eles permitem o surgimento de explicações e interpretações históricas distintas das europeias, embora sejam relacionadas com elas.
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